Busca de sentido para a vida é abordado em "A Busca do Arquipelágo"

Por Shirley M. Cavalcante ( SMC)

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL, paulistana,  é poeta, contista,  ensaísta, musicista e crítica literária.  Estreou em Literatura aos 19 anos e já publicou 15 livros em gêneros literários diversos  - romance, conto, poesia,  ensaio, crítica e teoria literária e jurídico.  É formada em Direito pela USP Universidade de São Paulo (1983),  premiada como melhor aluna do curso na especialização Direito Penal e Criminologia. Formada em Música pela FASM (1985).  Mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP (2005).

Coordenou projetos literários na Secretaria Municipal de Cultura   entre 1994 e 1997, no Centro Cultural São Paulo, na Biblioteca Mário de Andrade e em Casas de Cultura.  Também coordenou projetos na Casa das Rosas - Secretaria de Estado da Cultura. Ingressou no Ministério Público do Estado de São Paulo em janeiro de 1986, por concurso de provas e títulos e foi Promotora de Justiça e Procuradora de Justiça por três décadas, de 1986 a 2016. Foi eleita membro do Órgão Especial do Colégio de Procuradores,  que é um dos órgãos da Administração Superior do MPSP. Foi  Secretária Geral da UBE-SP e diretora da entidade entre 1996 e 2005, nas gestões de Fábio Lucas, Henrique L. Alves, Cláudio Willer e Levi Ferrari. Participou de dezenas de coletâneas poéticas no Brasil  e também nos Estados Unidos,  na França e em Portugal.  Teve livros analisados e resenhados na Itália, na Alemanha, em Portugal,  na França e na Argentina. Atualmente é Diretora do Departamento Cultural da APMP,  Diretora do MPD, integra a REBRA - Rede de Escritoras Brasileiras. Desde 1995 até o presente momento, tem publicado resenhas, artigos,  contos,  ensaios em jornais de literatura e em revistas de cultura e arte,  entre os quais Revista Ângulo,  O Escritor, Dimensão,  Germina, Eutomia, Mallarmargens, Archivos Del Sur, Folha de São Paulo, Revista da Biblioteca Mário de Andrade. Tem realizados palestras no Brasil e em Portugal,  desde 2011 sobre sua própria produção literária e sobre a trajetória estética do poeta Edgard Braga, sobre a qual publicou um livro em 2013.

Boa leitura!

 

Escritora Beatriz H. Ramos Amaral, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever?

Beatriz Amaral -  Escrevo desde os 6 anos de idade, praticamente desde que me alfabetizei. Começar a escrever, ainda criança, foi algo muito natural, para mim. Sempre li muito. Ganhava livros, lia e relia, era boa leitora, ficava fascinada com a possibilidade de criar mundos, criar e construir minhas próprias histórias e minhas próprias personagens.  E, principalmente, criar enredos. Eu observava uma cena na praia, por exemplo e imaginava uma história a partir dela. Escrevia muitas histórias. A partir dos 12 anos, também passei a escrever poemas, sempre atenta a musicalidade, ao ritmo e a busca da singularidade de minha própria linguagem.

 

Percebemos que escreves diferentes estilos e temáticas. Como foi surgindo esta diversificação na escrita?

Beatriz Amaral -  Realmente, penso que o estilo seja basicamente o mesmo: busca de concisão da linguagem, musicalidade evidente (melopeia, para utilizar a expressão de Ezra Pound), emprego de metalinguagem, busca existencial,  perquirindo o âmago das coisas, resistência contra as superficialidades e frivolidades da vida contemporânea, algumas intervenções na sintaxe convencional, o gosto pelo insólito. O que tem variado são os gêneros literários, pois surgem projetos, nascem projetos que necessitam de realização num ou noutro gênero, na poesia, na narrativa, no ensaio. Então, tenho escrito em vários gêneros, com predominância da poesia.

 

Quais critérios foram utilizados para seleção dos textos poéticos publicados em “O Avesso do Arquipélago”?

Beatriz Amaral -  É um livro de salto interior, de busca, de muita interiorização. Os poemas que o compõem foram escritos na mesma época, a partir de um projeto delineado há cerca de um ano. A maior parte dos poemas foi escrita em 2019. E, ao mesmo tempo em que mergulha nos temas do tempo, da noite, da existência, dos começos e dos avessos, o livro procura manter uma linguagem bastante leve, como se fosse chamber music - música de câmara. Um dos primeiros poemas do livro é dedicado ao extraordinário poeta, ensaísta, crítico e mestre português Ernesto de Melo e Castro, que é meu muito querido amigo e que reside em São Paulo.

 

Como foi a escolha do título para obra?

Beatriz Amaral -  Meus títulos nascem espontaneamente durante a construção da obra e com este livro não foi diferente. O título brotou a partir de um dos poemas, que se chama Avesso. Brotou mais ou menos na metade do percurso da escritura. Penso num conjunto de ilhas-poemas a dançar ou a se deslocar numa imensa partitura, vida, universo, da qual se destaca um arquipélago de conexões e fios de existência. Ilhas são estrelas, sílabas, notas musicais. Elementos de construção.

 

Apresente-nos a obra (sinopse)

Beatriz Amaral -   O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO é meu décimo-quinto livro e o primeiro publicado em Portugal. Ele é composto por um conjunto de cinquenta poemas geralmente de breve extensão e sua temática principal é a busca de sentido para a vida. Há nele momentos irônicos e outros mais líricos. A linguagem é bastante concisa. É uma edição da In-Finita Lisboa. O prefácio é de Renata Antunes e também há textos críticos de Reynaldo Barreto M. e Castro, David Pereira, Cecília Almeida Salles, Daniela Braga. A capa é de Júlia Mayrinck, criada a partir de um mandala multicolorido construído por mim. No lançamento de ontem, 25 de Outubro, na Livraria Barata / Leya, aqui em Lisboa, foram feitas magníficas apresentações do livro pelos premiados e grandes escritores portugueses João Rasteiro e João Morgado.

 

Apresente-nos, um dos textos publicados em “O Avesso do Arquipélago”?

 AVESSO

 No avesso do arquipélago

 existem mosaicos e ilhas

 brasões e miniaturas

 

 no avesso das fagulhas

a lenta história de pérolas

 

entre fugazes semínimas

que adentram teus compassos

existem frações de lúcido silêncio

 

no avesso da avenida

existe outra avenida

mais larga e bem mais densa

 

no avesso do que é imenso

existe a inexistência

 

Beatriz H. Ramos Amaral

 

Sabemos que cada texto tem um pedacinho da autora. Comente sobre o momento de criação desde texto.

Beatriz Amaral -  O poema “Circulo de Sol para Massao Ohno” tem uma origem que considero digna de registro. É dedicado ao meu querido editor Massao Ohno, que foi quem mais me editou. Ele publicou quatro livros meus: Encadeamentos, em 1988, Primeira Lua em 1990, Poema sine praevia lege em 1993 (finalista do Prêmio Jabuti) e Planagem em 1998 (um convite dele para o meu primeiro conjunto de poesia reunida e um marco na minha produção. Ele era um grande editor, um artista, um verdadeiro artista gráfico e que se tornou meu amigo querido. Ético, amigo, luz imensa vinda do Oriente que iluminou São Paulo e a poesia brasileira.

O poema o celebra.

 

Sabemos que estás realizando um conjunto de eventos em Portugal, para divulgação do livro. Quais os principais eventos que estás a participar?

Beatriz Amaral -  Na verdade, comecei a fazer palestras aqui em 2011. Estive em 2014 fazendo uma série de palestras em Coimbra e uma delas, em especial, na Casa da Escrita. Estive também realizando palestras ao lado de minha mãe, a poeta brasileira Elza A. Ramos Amaral, num Encontro Internacional de Poetas de Língua Portuguesa coordenado por Luís Serguilha, na Casa de Camilo Castelo Branco, em São Miguel de Seide, Vila Nova de Famalicão. Transitei muito pelo Porto, cidade que adoro. A partir de 2018, intensificaram-se as conexões e realizei uma série de palestras jurídicas num Seminário na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, participei de Salões do Livro, participei do I Mulherio das Letras Portugal em março deste ano e do Salão do Livro, em Junho. Experiências muito gratificantes que acabaram culminando com convites para publicar aqui.

E meu décimo-quinto livro, “O Avesso do Arquipélago”, é uma bela edição da In-Finita Lisboa. Fui convidada para autografá-lo na  tradicional LIVRARIA BARAT no dia 25 e o lançamento foi uma grande alegria, pois fui brindada com textos de apresentação do livro realmente magníficos, dos premiados escritores portugueses João Morgado e João Rasteiro, cujo trabalho muito admiro. Foi um presente para a minha poesia, para a minha escrita. Também autografei o livro no Projeto “Leituras de A a  Zénite”, na Galeria Zénite dia 22, no 5º. Salão do Livro de Lisboa realizado dia 19 na Fundação Casa de Macau. E agora estou seguindo para os Açores, pois fui convidada para fazer o lançamento e a apresentação de “O Avesso do Arquipélago” no OUTONO VIVO 2019, que é o maior festival de literatura e arte da região e se realiza na Ilha Terceira. Meu lançamento lá será no dia 28, 2ª.feira, às 19h, no Auditório do AJAIT e o livro terá a apresentação da atuante poeta açoriana Carla Félix.

 

Onde podemos comprar o seu livro?

Beatriz Amaral -  Aqui em Portugal, O AVESSO DO ARQUIPÉLAGO poderá ser comprado na Livraria Barata, entre outras,  e também diretamente com a editora In-Finita.

Também poderá ser adquirido nos Açores, na Feira Literária, na  Ilha Terceira, durante todos os dias de sua duração, isto é, até o dia 10 de Novembro.

E, claro, subsidiariamente, também comigo, pelo e-mail  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Para os brasileiros adquirirem, também estará em livrarias brasileiras em breve.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Beatriz H. Ramos Amaral. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Beatriz Amaral -  A mensagem que deixo é que sejamos todos sempre bons leitores – dos clássicos e dos nossos contemporâneos, valorizemos a literatura. Sem leitores não surgem escritores. E que sejamos sempre íntegros e fiéis a nossos projetos. Coerência, integridade e persistência são boas companheiras do escritor, do inventor, do artista, do criador em geral.

Gratíssima pela entrevista e pelo diálogo.

LISBOA, 26 / OUTUBRO / 2019,

BEATRIZ H. RAMOS AMARAL

Site Oficial:  www.beatrizhramaral.com.br

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Tito Mellão Laraya

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