Em Rio de Janeiro - lançamento do livro 'A borboleta, o sonho e o corvo'

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Andreia Fernandes, é formada em Física pela PUC/RJ, mas tornou-se escritora, dramaturga e professora de teatro. Iniciou sua carreira no Tablado, com Maria Clara Machado. Escreveu e dirigiu vários espetáculos entre eles o musical “Noel, Feitiço da Vila”, sucesso tanto Rio como em São Paulo. Recebeu um prêmio do RioArte com o musical sobre Ismael Silva.

Sua peça “Paz sem rosto”, em parceria com Hernane Cardoso, participou do Festival “Kids on Stage”, em Dresden, Alemanha, em 2016 e recebeu o prêmio de melhor espetáculo. Venceu o Prêmio Saraiva de Literatura e Música de 2014, com o romance “Olhos de Cobra”, publicado pela Benvirá em 2015. Tem vários contos premiados, entre eles, “A Borboleta azul”, 1º lugar do Concurso de Contos de Araçatuba, 2013 e “Lonjuras”, 2º lugar do Prêmio Machado de Assis do SESC-DF, 2013.

“No caso da Borboleta, o que me marcou foi o seguinte: na terceira versão, quando eu li o romance, achei o Santiago um chato. Precisava modificá-lo totalmente. Foi como reescrever o livro, porque Santiago influenciava Teresa, que influenciava Rogério. E lá se foram outras tantas versões”.

 

Boa leitura!

A Borboleta e o Sonho Andreia Fernandes

Escritora Andreia Fernandes, é um prazer contarmos com a sua participação na revista Divulga Escritor. Conte-nos, o que a motivou a ter gosto pela arte de escrever?

Andreia Fernandes - Tenho um eterno espanto diante do mundo. Uma necessidade imensa de perguntar sobre o que eu não entendo, sobre o que não é possível compreender. Busquei na Física algumas respostas, mas aprendi a perguntar. Escrevo para perguntar e não para responder. Vivemos numa sociedade em que se pergunta de menos e compra-se demais. Porém, também escrevo histórias. Gosto de histórias com bastante ação. Eu venho do teatro, e na dramaturgia, as ações se sucedem até o desfecho final. Os meus romances têm ações que se sucedem até o desfecho final. Quanto às perguntas, eu dou um jeito de deixá-las embrulhadas no desencadear dos acontecimentos. Pergunto sobre o humano, suas contradições, sobre o mundo e o extraordinário que nos cerca. Perguntas que não têm fim, embora a história acabe. Espero assim, compartilhar minhas perguntas. Escrevo porque necessito. Se não escrevesse, talvez explodisse.

 

O que a inspirou na construção do enredo de “A borboleta, o sonho e o corvo”?

 Andreia Fernandes - “A borboleta, o sonho e o corvo” começou como um conto. Chama-se “A borboleta Azul”, e venceu um concurso de contos. É um conto longo. Já tem aí, o germe de um romance. Preocupava-me a violência. Principalmente a violência camuflada, que também mata, como o preconceito, o medo do diferente. Para desenvolver “A borboleta, o sonho e o corvo”, eu me propus um desfio: contar uma história com três protagonistas. Seriam três personalidades que não se encontram durante a narrativa, mas que estão envolvidos numa sucessão de crimes. O pano de fundo é a cidade do Rio de Janeiro. Contrastando com a exuberância de sua natureza, a violência dos homicídios, do trânsito caótico, da miséria em cada esquina.

 

Apresente-nos a obra (sinopse)

Andreia Fernandes - Santiago, um advogado, passa a ter visões de crimes. De repente, tudo escurece, ele vê o homicídio e uma borboleta azul voa em meio ao breu. Ele pensa que enlouqueceu. Alguns dias se passam e o incidente aparece estampado nos jornais. Outras visões acontecem, sempre da mesma forma. E os crimes, semanas depois. Teresa é atriz e está de volta ao Brasil. Há anos, quando descobriu que os pais desapareceram durante a ditadura, tentou encontrar seus corpos. Diante de ameaças, abandonou tudo, inclusive uma grande paixão e foi morar no exterior. Retorna para resgatar a sua história, mas sonha com um corvo que a persegue. Dr. Rogério, médico, trabalhou no IML do Rio nos fins dos anos 60. Por acaso, teve um affaire com Teresa, assim que ela voltou ao Brasil. Ao descobrir sua identidade, terminou o caso, porque ela o liga a um passado que ele não quer ver revelado. O romance se desenrola acompanhando esses personagens, que embora nunca se encontrem, vão se engendrando numa mesma trama.

 

Qual o momento enquanto escrevia o romance que mais chamou a sua atenção?

Andreia Fernandes - Eu demoro bastante para escrever um romance. Além do fator tempo, não dou por terminada uma obra antes de três ou quatro versões. Entre elas, deixo o manuscrito um bom tempo na gaveta. Depois eu releio. Faço modificações. No caso da Borboleta, o que me marcou foi o seguinte: na terceira versão, quando eu li o romance, achei o Santiago um chato. Precisava modificá-lo totalmente. Foi como reescrever o livro, porque Santiago influenciava Teresa, que influenciava Rogério. E lá se foram outras tantas versões. Isso é uma coisa que aprendi, ainda escrevendo só peças: descartar ideias, descartar cenas, descartar uma peça inteira. Ou um romance. E recomeçar.

 

O lançamento será agora em outubro, conte-nos onde, dia, local, hora?

Andreia Fernandes - O lançamento será na Livraria Travessa de Botafogo, no Rio de Janeiro, no dia 31 de outubro, às 19h. Livraria Travessa - Botafogo – Rua Voluntários da Pátria, 97 tel:3195-0200

 

Quem não puder comparecer ao lançamento onde poderá comprar o seu livro?

Andreia Fernandes - O livro foi publicado pela Chiado Books, no Brasil e em Portugal

No Brasil está disponível nos sites:

https://www.chiadobooks.com/livraria/a-borboleta-o-sonho-e-o-corvo?currency=brl

https://www.livrariacultura.com.br/p/livros/literatura-nacional/ficcao-fantasiosa/a-borboleta-o-corvo-e-o-sonho-2000216970

https//www.martinsfontespaulista.com.br/borboleta-o-corvo-e-o-sonho-a-58587434.aspx/p

Em Portugal:

https://www.chiadobooks.com/livraria/a-borboleta-o-sonho-e-o-corvo

 

Além de “A borboleta, o sonho e o corvo” você tem outro romance publicado, “Olhos de Cobra” vencedor do Prêmio Saraiva de Literatura – 100 Anos, em 2014. Apresente-nos a obra (sinopse)

Andreia Fernandes - No romance, dois personagens vivem em épocas diferentes: Laura no início do século XX e Bernardo, 100 anos depois. Laura vive numa fazenda no final do ciclo do café, cercada por lendas e assassinatos. Numa enchente, perde a fazenda e toda a sua família.  É enclausurada num convento, no Rio de Janeiro. Numa tempestade, foge e some. Torna-se Mariana e registra impressões num caderno. Quando a mulher de Bernardo desaparece, também durante uma tempestade, em pleno século XXI, tal fato está ligado à história de Laura. Bernardo encontra no caderno deixado por Laura, anotações de sua mulher. Ele procura desvendar quem foi Laura para encontrar Clarice. Porém, atrás de fatos, se depara com lendas, crimes, grilagem, num emaranhado de casos, coincidências e outras histórias sem solução. No que ele deve acreditar? O que é real? O que é ficção?

Quem desejar como fazer para comprar está obra literária?

Andreia Fernandes - Atualmente, esse livro se encontra à venda na Saraiva.

 

Quais os seus próximos projetos literários?

Andreia Fernandes - Tenho alguns contos premiados e outros inéditos. Queria reuni-los num livro e publicá-los. Além desse projeto, estou escrevendo um terceiro romance. Já está bem encaminhado. Mas meu foco agora é divulgar “A borboleta, o sonho e o corvo”.

 

Como é ter formação em Física e migrar para o Teatro e a Literatura?

Andreia Fernandes - Minha formação em Física foi fundamental para minha carreira artística. O estudo da Física é um eterno exercício de criatividade. Nada mais criativo do que lidar com nuvens de elétrons, velocidades inatingíveis, curvaturas do espaço. Na verdade, a maioria dos meus colegas estavam ligados à arte: música, teatro, artes plásticas. Eu preferi trabalhar com gente do que com equações. Achei mais divertido.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Andreia Fernandes. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Andreia Fernandes - Leiam devagar, saboreando cada página, cada palavra. Pensem sobre o que estão lendo. É fundamental irem além do gostei ou do não gostei. Refletir para poder dialogar. Ler é um encontro entre autor e leitor. Como todo encontro, precisa de um tempo. É como diz Fernando Pessoa na fala de Ricardo Reis:

Para ser grande, sê inteiro: nada

            Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

            No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

            Brilha, porque alta vive.

 

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