Conto - As histórias de Catarina Berghard - Saudade

Caminhando na ansiedade a encontrar o dia, destino a propor, impulsionada pressa a viver, perfeito magnânimo tempo, conluio filme veemente da vida. Deitada na cama macia, lençóis bordados exuberantes de beleza a admirar, os pensamentos rondam a compreensão, com a rapidez do incompreensível, a janela permanecia aberta, marcado corpo e alma, armazenando a tristeza do tempo passado, na visão saudosa da beleza dos encontros e desencontros a partilhar um dia.   

Vago pensamento ao levantar caminha, procurando dar alento da imagem espelhada deslumbrante, mas sem respostas, nas rugas, franzido cenho, a vaguear em perdido tempo. A Caminhar sozinha entre algumas bancas de flores e frutas, perfumes entrelaçam com o perfume da manhã. Logo à frente está uma igreja exuberante, beleza e estilo, instrumento musical de plenitude e grandeza, poucas pessoas ao longo dos bancos de madeira na igreja, Catarina a sentar, a fitar, os pensamentos saudosos, trêmula sensação, a recordar o avô materno.  O falecimento, os preparativos, o velório, vestido de pulôver creme, camisa azul clara e calça de alfaiataria, cinza, com seu lenço na lapela, chapéu, os cabelos claros, vaidosamente aos 85 anos. Curiosamente, os banhos de sol e de mar não presenciados por Catarina, demonstrando quem sabe, uma característica de um homem europeu, avesso ao clima quente do Brasil. Atormentada Catarina a carregar consigo, recordações de tristezas e lamentações a repousar anos passados, não pôde despedir-se no velório, por recomendações médicas.

Muitos anos depois, a saudade invade, vivendo em outro país, os laços de família sempre muito presentes em sua vida, a noite longa, o avô de Catarina em sonho chora ao seu lado, assustada Catarina acorda, sem compreender o real mundo dos sonhos, deixando de lado, deu início aos seus trabalhos diários.

 A imagem do santo segurando uma rosa, guardado de saudade a entender, “.... o santo segurando uma rosa vermelha em sua mão direita, saberás que estou ao seu lado, junto de ti”.  

Na Cidade de Wurtzburg, Alemanha, Estado da Baviera, a primeira das cidades da rota romântica, na Catedral Dom St. Kilian, a rosa vermelha do lado direito, sendo segurada por uma imagem de santo, logo ao entrar na catedral, Catarina a sentir as pernas bambas e sem forças para caminhar, à sua frente a imagem. O tempo congelando os pensamentos, sem falar, sem movimentar e as lágrimas calmamente caindo em seu rosto, o perfume a sentir confirmando sua presença naquele lugar.   

Agradável cheiro, amadeirado, o perfume marcou a infância.  Fecha os olhos, levemente, não mais lá está, a imagem à sua frente, um rio belo, limpo, com algumas canoas e, várias pessoas caminhando próximas as margens do rio, um dia ensolarado, um clima agradável. Catarina sentada no banco de madeira, para desfrutar da fantástica visão. Por um instante, às margens do Rio, trajada de um longo vestido, babados, de cor branca, chapéu, abas largas, rendado, sombrinha da cor do vestido, perfeita harmonia de cor e estilo. Longa paz e tranquilidade no coração, especiais lembranças os momentos trazem. Quando então, alguém senta ao lado de Catarina, sem identificar, uma voz suave e tranquila segura a mão de Catarina, carinhosamente, uma criança pequena, 4anos, não mais que isso, com um sorriso lindo, cabelos cacheados pretos, olhos castanhos, pele branca, com um vestido vermelho. Ao lado da criança, Catarina reconhece, o avô, que sorri.

Escritora Marisa Relva.

 

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Tito Mellão Laraya

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