Certo ou Errado: Quando o julgamento pode ajudar ou não

Petronio Borges

Professor e palestrante

Muitos dizem que: lidar com animais é melhor que lidar com pessoas. Talvez porque queremos que tudo seja feito realmente do jeito que nós queremos. Pessoas pensam, tem desejos próprios, são de culturas diferentes e questionam muito. Assim é o ambiente onde nós vivemos, ou seja, no trabalho, em casa e em nossos meios sociais.

Muitas vezes tomamos algumas decisões de excluir as pessoas que não são de acordo com as nossas ideias, pois é mais fácil ter pessoas de ideias iguais junto a nós. Infelizmente não é fácil encontrarmos pessoas para trabalhar com aquelas que tenham ideias parecidas com as nossas. No meio social é mais fácil, pois procuramos comunidades que pensam na maioria das vezes como gostaríamos. Em nossos lares, também já não está tão fácil manter os ideais iguais, pois a liberdade de expressão está cada vez mais difundida.

O certo e o errado são ideias que muitas vezes estão apenas em nossa mente, tudo isso foi criado por aprendermos que era assim ou não. Dessa forma levamos tais pensamentos aos ambientes que vivemos e queremos que todos as aceitem sem reprovação. Assim, a convivência torna-se um desafio cada vez maior. Claro que ninguém é obrigado a aceitar, mas temos que praticar a política da boa vizinhança. Imagine dentro de uma empresa, que é composta por uma diversidade incrível de pessoas trabalhando no mesmo ambiente, o respeito deve ser praticado com maestria. Uma organização em resumo é um grupo de pessoas com o propósito em comum, então é primordial manter uma união invejável para que os objetivos sejam alcançados.

Manter um grupo unido independente de suas diferenças pessoais, é um desafio para qualquer liderança, mas esse é o diferencial de um líder. Incluir e não excluir. Ensinar e não julgar. Julgar é formar conceitos.  O julgar é saber examinar e tomar uma decisão se estamos no caminho certo ou errado de acordo com nossos direcionamentos. Um conto zen exemplifica bem o conceito de um líder inclusivo: diz no conto que quando Bankei realizava seus retiros semanais de meditação, discípulos de muitas partes do Japão vinham participar. Durante um destes Sesshins (em japonês: concertar a mente) um discípulo foi pego roubando. O caso foi reportado a Bankei com a solicitação para que o culpado fosse expulso. Bankei ignorou o caso. Mais tarde o discípulo foi surpreendido na mesma falta, e novamente Bankei desdenhou o acontecimento. Isto aborreceu os outros pupilos, que enviaram uma petição pedindo a dispensa do ladrão, e declarando que se tal não fosse feito eles todos iriam deixar o retiro. Quando Bankei leu a petição ele reuniu todos diante de si. "Vocês são sábios," ele disse aos discípulos. "Vocês sabem o que é certo e o que é errado. Vocês podem ir para qualquer outro lugar para estudar e praticar, mas este pobre irmão não percebe nem mesmo o que significa o certo e o errado. Quem irá ensiná-lo se eu não o fizer? Eu vou mantê-lo aqui mesmo se o resto de vocês partirem." Uma torrente de lágrimas fora derramada pelo monge que roubara. Todo seu desejo de roubar tinha se esvaecido.

Como conta o conto acima, não é fácil manter um grupo quando um deles está em desacordo com os demais (os objetivos em comum). Mas como ensinar um membro do grupo se o expulsarmos?

            A pessoas que estão à frente de um grupo, seja ele de qual for a organização deve se preparar, estudar e praticar o conceito de união, compaixão e ética.  Líder é um inspirador, ponderador, analisador e toma as decisões que melhor cabe a cada membro do grupo. É aquele que une, mostra a importância do trabalho em equipe, como dizia a frase dos três mosqueteiros: Um por todos e todos por um.

            Devemos ser mais inclusivos que exclusivos, as ideias das pessoas não precisam ser iguais as nossas. Devemos praticar a ética, que em resumo é viver bem com todos, respeitando suas diferenças, como já dizia Sócrates: Só sei que na nada sei. Seguindo os passos do grande filósofo, ninguém sabe tudo. Tudo pode estar certo como também pode está errado. O mais importante é uma convivência harmoniosa de uma organização em grupo.

 

 

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Tito Mellão Laraya

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