Revisão ortográfica e o impacto da crise econômica

A revisão ortográfica e gramatical é tão necessária no âmbito das editoras, que sua importância pode ser comparada à do controle de qualidade na indústria. Portanto, publicar um texto sem revisar, ciente das consequências que isso traz, mesmo apoiado em alguma justificativa minimamente convincente, não deixa de ter algum risco.

Ora, a escrita de um bom texto demanda cuidados, como aplicar regras gramaticais, usar vocabulário apropriado, ter coerência de ideias, atentar para as concordâncias e tempos verbais, ter coesão e ser criativo, entre tantos outros pontos que só um revisor consegue enxergar. E tudo isso precisa ser minuciosamente visto e revisto antes da impressão no papel.

Mas quando isso não acontece e o texto é impresso com erros não há mais o que fazer, a não ser ouvir as reclamações, porque sempre alguém acaba percebendo. Corrigir erros tem custo maior do que revisar antes de publicar. Hoje, para alguns editores, a crise econômica pela qual passa o país tem grande impacto na produção do livro, impedindo-os de incluir um revisor nas etapas de produção. Sabemos que o momento é crítico e que nem sempre o gasto é visto como investimento. Atualmente escreve-se muito, mas é preciso pensar na qualidade. E se a intenção é publicar, uma revisão ortográfica e gramatical feita por profissional é mandatória, ainda que implique despesas. Confiar esta tarefa a um amigo de boa formação cultural não é o caminho, pois ele não tem a expertise de um revisor profissional.
A cada segundo, nos dias de hoje, milhões de mensagens são redigidas em todas as plataformas, dando à comunicação escrita uma importância fantástica. Todo mundo tem algo a passar para alguém por meio da escrita, e a era digital proporcionou ao Homo sapiens uma facilidade nunca antes imaginada. O mundo tornou-se de fato uma aldeia global, como preconizava o filósofo canadense Marshall McLuhan poucas décadas atrás. Se esse excesso de escrita resultasse em assimilação de vocabulário diversificado, domínio de regras gramaticais e criatividade nos conteúdos, teríamos textos de melhor qualidade. E essa melhora seria percebida na produção de conteúdo a ser publicado. Mas como isso não ocorre e considerando que um texto, para ser impresso, precisa ser lapidado como um diamante bruto, aí entra o revisor, presença obrigatória na cadeia produtiva do livro.
Há quem diga que um errinho aqui, outro ali não compromete a obra. Afinal, fazer entender é o que basta, dirão alguns. Será?! Não seria esta uma visão ingênua até demais em face de um assunto tão importante? Suponha erros no uso da vírgula: uma vírgula mal colocada pode tanto condenar quanto absolver uma pessoa, pode mudar valores para mais ou para menos; enfim, a pontuação, para citar apenas um aspecto, tem grande importância. Ora, nossa língua, nosso maior bem cultural, merece, no mínimo, que suas regras sejam respeitadas e aplicadas para que uma comunicação eficaz se processe entre o leitor e o autor. Espera-se que um dia tudo isso mude, ainda que demore. E certamente nenhuma crise, por mais devastadora e duradoura que seja, impedirá que se contrate um revisor de textos. Nossa língua — nosso maior bem, um legado que nos faz cidadãos e nos dá voz e a possibilidade de nos entendermos como seres humanos e civilizados que somos — será a melhor ferramenta de que dispõe todo indivíduo.


Por Josias A. Andrade
Texto Ideal – Serviços Editoriais
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