Baseado em fatos reais apresentamos 'História em Pedacinhos' da autora portuguesa Maria Cecília

Por Shirley M. Cavalcante (SMC)

Maria Cecília nasceu no Jardim do Mar, Madeira, em 14 de junho de 1949. Aos seis anos viajou para a Venezuela em companhia da mãe para reencontrar o seu pai. Em 1973, regressou à Madeira para um período de férias que se prolongou por 8 anos e acabou por ficar em Portugal continental até hoje. Casou e teve dois filhos, uma menina e um rapaz.

Alegre e optimista, voltou à escola aos 56 anos para acabar o ensino secundário, o qual terminou aos 59 anos. Acredita que os sonhos se concretizam, embora não aconteçam no tempo que consideramos certo.

Toda a vida foi grande leitora, e também gostava muito de escrever. Ficou viúva em 2009, a partir de então a escrita passou a ser sua válvula de escape.

“Me encanta constatar que os sonhos se concretizam, mesmo quando pensamos que já não temos mais para sonhar. Este livro me deu isso!”

Boa Leitura!

Escritora Maria Cecília, é um prazer contarmos com a sua participação na Revista Divulga Escritor. “História em Pedacinhos – As Casas da Minha Infância e os Tempos de Chá sem Açúcar” é uma obra baseada em fatos reais ou fictícios?

Maria Cecília – O livro “História em Pedacinhos” é baseado em acontecimentos reais. Tão reais quanto podem ser as memórias de infância. Tratou-se de um exercício de memória, e esta é a forma como recordo as situações descritas neste livro. Se as recordo assim é porque são verdadeiras, porque, de uma forma ou de outra, me marcaram.

 

Conte-nos o que a motivou a escrever “História em Pedacinhos”?

Maria Cecília – Devo dizer que no início não havia a intenção fazer um livro. Eu tinha na minha posse uma parte de vida dos meus pais que os meus outros irmãos não conheciam. Eu sou a mais velha de oito irmãos, havendo um intervalo de oito anos entre mim e o irmão seguinte; quer isto dizer que uma grande parte da vida dos meus pais não era conhecida nem foi vivida pelos meus irmãos. Comecei a escrever para eles, para que eles pudessem conhecer melhor a vida dos pais e entendê-los melhor. Até porque considero que foi uma fase muito atribulada e interessante que não podia deixar no esquecimento. Foi isto que deu, quase acidentalmente, este livro. Escrito em pedacinhos, porque eu só tinha tempo de escrever pequenos textos quando as lembranças chegavam.

 

Quais os principais desafios para a escrita do enredo que compõe a trama?

Maria Cecília – O maior desfio era colocar em palavras não só os factos, mas os sentimentos e emoções que a menina narradora sentia. A linha temporal, que é definida pelos nascimentos dos irmãos, também foi um desafio, assim como “viajar na memória”, não apenas da menina, mas também nas memórias da mãe como pretexto para descrever o ambiente de onde ele tinha saído, em contraste com o novo mundo. Também era muito importante que tudo fosse muito autêntico, verdadeiro, quase visceral, e isso creio que consegui.

A história é contada pela menina, por isso é uma linguagem simples, quase ingênua às vezes. No entanto, não é uma leitura plana. Tem nuances, profundidade. É preciso ler nas entrelinhas. Há também algum devaneio lírico e ironia para combater o dramatismo, sim, porque o que aqui se conta é dramático. A autora quer sensibilizar, fazer sentir e ao mesmo tempo fazer sorrir. Falar de emigração, de saudade e sonhos perdidos, enfim, da vida.

Tudo acontece durante as décadas de 50-70 do século passado. É uma história na qual muitos emigrantes se podem rever; no entanto, é também única e pessoal.

 

Quais são os principais personagens que compõem o enredo?

Maria Cecília – Os personagens principais são: a menina que conta a história e os pais. Mas a verdadeira protagonista é a mãe. É ela que conduz a família, é ela que sofre e perde as ilusões. É ela que faz aquela família crescer em número e se sente responsável por todos, esquecendo-se de si própria. Ela é que sente o peso de ensinar e transmitir os seus valores. Ao mesmo tempo é ela que se torna castradora na tentativa de fazer dos filhos a imagem de si mesma. A religião, os costumes. Tudo é ela. A imagem da generosidade e simultaneamente, a imagem do egoísmo…

Não há nomes, os protagonistas não têm nome; são pai, mãe, irmãos. Dar nomes autênticos era desnudá-los por completo, quanto a dar nomes fictícios… Se o fizesse a autora já não sabia de quem estava a falar. Poucos lugares têm nome próprio, na tentativa de que esta história seja algo mais do que um caso pessoal. Podia ser em qualquer lugar do mundo.

Eu gostaria que aqueles que possam ler esta história não a encarassem como uma biografia.

 

Afinal, quem é a Maria Cecília? Que importância ela tem para contar a sua biografia?

Maria Cecília – Preferia que a entendessem como uma história que tem muitas histórias dentro. Uma história que fala de saudade, sonhos, decepções, recomeços; é a história de muita gente.

 

O que mais a encanta em “História em Pedacinhos”?

 Maria Cecília – O que mais me encanta neste livro… o facto de o ter escrito já me encanta! Mas de facto, o que me encanta é que ele serviu para mim, autora, como uma catarse. Foi abrir a caixa de Pandora e deixar sair todos os malefícios, lutar e sair vencedora. Me encanta que até hoje muitas pessoas tenham gostado. Me encanta que quando alguém se chega ao pé de mim e me dá um abraço, porque se reviu em determinado ponto da narrativa.

Me encanta constatar que os sonhos se concretizam, mesmo quando pensamos que já não temos mais para sonhar. Este livro me deu isso!

 

O que a escrita significa para você?

Maria Cecília – A escrita salvou a minha vida. Quando tudo parecia terminado, eis que encontro uma nova vida. Sempre gostei de escrever, e sempre fui pudorosa, ninguém lia o que escrevia. Por isso acabava sempre por destruir tudo. Mas cheguei a uma idade em que já não tenho que ter pudores; então a escrita, agora, é a minha forma de vida. Mas só escrevo se sentir que tenho algo para contar, algo que possa dar alegria ou levar à reflexão. E penso que não é preciso deixar grandes ideias ou normas, basta com que faça pensar. Por vezes “acordamos” com uma simples palavra.

 

Onde podemos comprar o seu livro?

Maria Cecília – O meu livro pode ser encontrado em Portugal, nas plataformas online das livrarias Bertrand, Fnac, Wook e na Chiado Editora. No Brasil, já está disponível online nas livrarias Cultura, e brevemente também nas livrarias da Travessa, Saraiva e algumas mais. Por enquanto apenas por encomenda. Pediria aos leitores aqui do Brasil que pedissem online.

 

Quais os principais hobbies da autora Maria Cecília ?

Maria Cecília – Ler é um dos meus passatempos favoritos, sempre li muito, desde menina; se não houvessem livros, serviam-me os jornais, rótulos de embalagens e até as bulas dos medicamentos. Acreditem, aprende-se ao ler estas bulas! E escrever. Desde o meu tempo de escola, fazia as melhores composições, sobretudo aquelas que requeressem muita imaginação.

Como já ouvi dizer, quem lê muito e tem algo para contar, acaba inevitavelmente, por escrever. Sou muito prendada, sei costurar muito bem, mas prefiro os trabalhos criativos, gosto de fazer malha e crochet. Tenho dois gatos e dois cães. Gosto muito de viajar, o que não faço com muita frequência, a não ser para a Madeira ou para a Inglaterra, onde tenho os meus filhos. Se tivesse muitas possibilidades viajava o ano inteiro. Mas quem é que não tem esse sonho?

 

Quais os seus principais objetivos como escritora? Pensas em publicar novos livros?

Maria Cecília – Na verdade já comecei a escrever. O meu “História em Pedacinhos” deixou o mote para uma continuação. Mas será na voz de uma jovem que luta para crescer. Será num registo diferente, mais interiorizado. Mais não digo! Escrever escrevo, não sei se será um livro publicado.

Há um objectivo comum a todo aquele que escreve: ser lido. Ser lido por muita gente e principalmente, que goste. Isso é o que todo autor deseja.

 

Pois bem, estamos chegando ao fim da entrevista. Muito bom conhecer melhor a escritora Maria Cecília. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem você deixa para nossos leitores?

Maria Cecília – Só desejo a todos os leitores que sejam felizes. E que nunca deixem de sonhar; a felicidade não vem num pacote completo, ela vem em pedacinhos. Temos que saborear todos eles.

E se possível, desejava que lessem o meu livro. Acredito que iriam gostar (isto é um desejo para mim).

 

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