Trinta Anos de Silencio com a autora Maria Beatriz Ferreira

Maria dos Santos é o pseudônimo utilizado para todo o trabalho de coletâneas ou outros pequenos trabalhos de prosa. Seu nome de guerra, em trabalhos solo, é seu nome verdadeiro: Maria Beatriz Ferreira.

Nasceu no dia 16 de outubro de 1950, na Freguesia de S. Pedro da Cova, Concelho de Gondomar, Distrito do Porto. Licenciada em história pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (1983), é Mestre em Administração Pública pela Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho (1998). Beatriz é aposentada da Administração Pública desde maio de 2003.


“Trinta Anos é tempo e é espaço também, é persistência e alma. Vesti as Palavras é forma. É adaptação. É luta, perda e ganho.’

Boa Leitura!



Escritora Maria Beatriz Ferreira, por favor, conte-nos o que mais a encanta nos textos poéticos?

Maria Ferreira - Não é fácil falar sobre nós, todavia, aceitem como explicação que existe uma dificuldade na fusão entre o querer e a realidade, os sonhos a as palavras. Sem hora marcada, saem sem que eu as proteja, se formam em versos ou estrofes e eis o poema. Há sempre a ânsia de viver, a paixão pela natureza e a vontade de escrever. Nos meus poemas existem os da alma, os da vida e os do caminho.


Como foi a escolha dos textos para compor o seu livro “Trinta Anos de Silêncio”?
Maria Ferreira - Tem a explicação mais simples que possam imaginar. Resultou, em parte, da recuperação de alguns temas perdidos entre os trinta anos em que deixei de publicar. Ou seja, de 1980 a 2010. Por razões profissionais e de preparação acadêmica, o tempo e a emoção não permitiram que eu desse longa vida ao tempo da escrita. Ordenados cronologicamente, revendo um ou outro, era chegada a hora da editora.


Como foi a escolha do título?
Maria Ferreira - Logicamente teria que estar em consonância com o conteúdo ou que lhe é subsjacente. Assim foi. Trinta anos foi o espaço de tempo entre a última edição (1978) e aquela em que decidi publicar de novo (2008). Trinta anos em que pouco escrevi. Existe mais vida para além da escrita na minha vida.


Qual a mensagem que deseja transmitir ao leitor por meio dos textos que compõem a obra?
Maria Ferreira - Foi o tempo. Já não havia mais tempo para tanto sonho. O livro tinha que vencer, como vencera eu antes, outras dificuldades. Se o seu sonho,  prezado leitor, for a escrita, se para si o escrever é uma forma de libertação, saiba que escrever implica uma vida solitária, muito isolamento, muito silêncio. Consciente disso, agarre as letras, segure palavras e chame o poema. O mundo será seu.


Além de poesia, escreves em outro segmento?
Maria Ferreira - De um modo geral, não. Não se pode servir bem a dois senhores, deixo-me ficar por aqui. Pequenos textos de prosa poética ou tentativa de conto alindam a minha escrita.
Se a curiosidade for grande, procure, caro leitor, “Primeiras Palavras de cada manhã”, facebook.com (maria.Dossantos). Junto algumas letras e conjugo-as com as fotos que vou tirando, outra paixão que alimento.


O que diferencia “Trinta Anos de Silêncio” de seu livro “Vesti nas Palavras”?
Maria Ferreira - Diferem um pouco sim. Mais na forma que no conteúdo. Neles, existe — transversalmente — pontos comuns em temas que persigo, como: a saudade de algo, o amor ou o que dele a vida nos dá ou pode tirar. O envelhecer e o medo da solidão.
Em “Vesti as Palavras” fui agrupando as letras e o meu eu poético pintou-as. Criou outro mundo, já que este se encontra em fase agonizante. Surgiram coisas bonitas, pequenas delícias. Momentos que traduzem percursos de minha vida. Hoje — bastante metamorfoseada — a minha escrita sou eu. Simples. Transparente. Continuo de rima livre, mas liberta de sonhos recolhidos pelo tempo. Trinta Anos é tempo e é espaço também, é persistência e alma. Vesti as Palavras é forma. É adaptação. É luta, perda e ganho.


Como leitora, como analisa “Vesti as Palavras” ?
Maria Ferreira - Vesti as palavras, uma vez mais, resultou da análise de conteúdo dos textos reunidos. Considerei-os despidos, sem cor. Quiçá a vida mo tenha ensinado e, subtilmente — em alguns poemas — detive-me qual bordadeira, coloquei rendas, colori o texto sem destruir o essencial em seu significado intrínseco. Noutros poemas — mais audaz — ligando a poesia às vivências mais pessoais e colectivas, dei gritos, revoltada cantei, chamei pelo vento através da minha janela, tropecei na calçada e me levantei vezes sem conta. Seguindo sempre o meu caminho.
Leia-se em caminhos, os caminhos da serra e da montanha, já que me dedico ao desporto de montanha. Outra paixão de onde me advêm alguns temas que amo.
Vesti as palavrasdespindo-me por vezes. O meu sonho é um rio e o meu rio não tem margens. Sem poesia não concebo a vida, e sem um pouco de alegria, de nada serve viver. Aos poetas — em tempos difíceis — é-lhes dada a faculdade da palavra escrita, embrulhada, colorida, disfarçada como forma de luta e revolta.
Desta forma se poderá ler-me: de palavras — algumas — coloridas para não agredir e outras suficientemente despidas para serem aceites. Já que ela — a poesia — nos mesmos poemas é uma mulher sedutora e intemporal.


Pode presentear-nos com um de seus textos poéticos?
Maria Ferreira - Com todo prazer, deixo aqui um poema do livro “Vesti as Palavras”.

 
Que sentem os poetas?

Que dizem os poetas nesta hora de crise
perante a indecisão, desta realidade crua
de fome e solidão?

Surgem revoltados, brotam poesia
por todos os lados,
gritam palavras em forma de rebeldia.

Estalam os dedos e as páginas brancas
de almas inquietas
desassossegadas
e, as almas refugiam-se
sob formas de escrita inacabadas.

In Vesti as Palavras, pág. 71

Onde podemos comprar seus livros?
Maria Ferreira - Por meu intermédio em marbelha.ferreiramail.com
www.poesia faclube.gmal.com – para Trinta anos de silêncio
www.facebook.com/multiplashistoriaseditora/grupomultiplas


Escritora Maria Beatriz Ferreira, muito prazer em conhecer um pouco da sua escrita. Agradecemos sua participação na Revista Divulga Escritor. Que mensagem deixaria para nossos leitores?
Maria Ferreira - O prazer foi meu ao transmitir um pouquinho do que sinto e escrevo. Não procurem dias ou horas certas para escrever. Simplesmente comecem, ontem seria o dia certo.
Obrigada.
MBF

por Shirley M. Cavalcante (SMC)

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